terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Aliados de Arruda oram depois de receber propina

Olá!

Eu me permito refletir um pouco sobre este vídeo onde o deputado Rubens César Brunelli (PSC) e o atual presidente da Câmara, Leonardo Prudente (DEM) fazem uma oração após acertarem tramas e receberem propina.

http://www.youtube.com/watch?v=URVwHr_aniA

Aqui o triste contraste...
http://www.youtube.com/watch?v=ainUnvQb2Gs&feature=related


Bom, vamos lá.

Primeiramente, este tipo de vídeo aqui é lugar-comum no nosso país. O que há de demais aqui? Nada! É um rotineiro e corriqueiro evento de corrupção. Corrupção é palavra sobre a qual todos nós brasileiros estamos acostumados. É característica do nosso estilo de vida, desde tempos que nem imaginamos e que remontam à própria formação do povo e do estado brasileiro. E a verdade é que quando o Robin Willians fala que o Brasil ganhou a sede das Olimpíadas porque o Brasil enviou "50 strippers e meio quilo de pó", ele faz alusão a uma imagem (que pode não ser politicamente clara na cabeça medíocre dele) do povo brasileiro relacionada a coisas vis, baixas, corruptivas. E quer saber, não é pra menos! Aqui no Brasil a corrupção começa desde criança. Essa atitude corrupta no âmbito político que a gente vê na televisão é uma mera (ou extremada) repetição de atitudes corruptas que o cotidiano disfarça de corriqueiro. Qual a diferença entre roubar dinheiro público e aproveitar um conhecido da fila de um banco pra ser atendido primeiro? Qual a diferença entre roubar dinheiro público e não devolver o troco errado que o cara da padaria nos deu? Nenhuma! É a mesma coisa! São todas atitudes eminentemente corruptivas, mas que que tomamos com ingênuas, quotidianas. Não há o que a gente não faça para ganhar algum tipo de vantagem, mesmo que tenha que se fazer de bobo. Agora, naturalmente, pensando em uma análise equilibrada e de maneira alguma justificando alguma coisa, não é só o mero prazer de levar vantagem o vetor principal, mas também, a precariedade das nossas instituições (jurídicas, econômicas, sociais), a defasagem de processos e a falta de preparo do capital humano no trato com o cliente que se chama povo brasileiro. É um cenário muito específico, um cliclo vicioso já muito bem adaptado à nossa realidade que torna difícil alguma perspectiva de mudança de cenário a curto ou médio prazo.

Essa noção, essa visão do Brasil se torna pior ainda quando a gente conhece a realidade quotidiana de um país como os EUA, por exemplo, a começar pela infra-estrutura incrivelmente otimizada e de alta qualidade: ruas e rodovias impecavelmente limpas e asfaltadas, serviços básicos de alta qualidade e pontualidade. Trânsito altamente educado, pessoas educadas e honestas que se virem a sua carteria caindo do bolso na rua, vão pegar e te devolver sem "surrupiar" o dinheiro primeiro; preços justos, combustível extremamente barato, concorrência justa (se você comprar um aparelho eletrônico por mil dólares, por exemplo, e ver o mesmo em outra loja por 800, você simplesmente, volta na loja que você comprou, prova que outra loja está vendendo por 200 dólares a menos e a loja vai te devolver esses 200 sem pensar duas vezes! Não vão te falar "ô, seu zé mané, problema seu, otário!), enfim, o céu, comparando com o inferno desse país medíocre e miserável que se chama Brasil. Dá mesmo vontade de pular fora, não significando que pular fora seja a melhor atitude. Natural e obviamente, existem muitos problemas sociais nos EUA e o Brasil também não é um caso perdido. Da mesma forma que muita coisa mudou pra melhor no Brasil, por exemplo, a indiscutível e matemática melhora da desigualdade social e distribuição de renda no governo do Lula, nos EUA também tem corrupção e tudo do tipo, mas em níveis incomparavelmente mais baixos que os do Brasil.

Bom, mas este não é o tema deste texto. Continuo essa caracterização da corrupção depois.

Como eu disse no começo, não há nada de novidade no vídeo acima. Só mais um vídeo de mais uns coitados fazendo porcariada com o dinheiro público. Mas, uma coisa me chamou a atenção, uma coisa que, hehe, meu cérebro, a princípio, na primeira vez que vi o vídeo, não entendeu e, posteriormente, me inspirou a escrever aqui: como alguém é capaz de "rezar" depois de receber propina? Como alguém é sinceramente chapeuzinho 1 minuto depois de ser lobo? O que se passa na cabeça destes dois seres humanos (o terceiro homem estava entregando o esquema) a ponto de conseguirem "pisar no inferno" e, logo em seguida, na maior cara-de-pau, pedirem azilo no paraízo, rs? Qual a visão (noção que seja) religiosa dessas pessoas? Será a atitude de oração para elas uma postura sincera ou mecanismo psicológico de retirada de culpa? É domínio da religião ou da psicologia esta análise? Ou será da sociologia? Eu fico pensando (e até curioso) no que o Max Weber que estudou sobre a relação entre espírito capitalista e ética protestante falaria depois de ver esse vídeo, rs. Se, na perspectiva de Weber, o enriquecimento material é prova de salvação divina (o que deu campo para a expansão do capitalismo), qual a postura atual das correntes protestantes acerca da relação dinheiro/divindade?

Na verdade eu ainda estou refletindo sobre isso, como diria o cara-de-pau do Collor, "deglutindo" essa cena (hehe! como é bom ver tv senado, é muito engraçado às vezes!). Estou decidindo se tomo isso como uma atitude complexa, academicamente falando, ou como uma simples insanidade ou psicologismo barato. Se eu decidir por loucura, tipo, lesão no cérebro desses caras, então, paro de escrever aqui. Se não, continuo a análise e tento trazer à tona de que maneira a atitude de oração dos dois representa uma postura mais generalizada acerca da prática religiosa dos tempos atuais.

Até breve!

3 comentários:

  1. Moço, com bom ex estudante de História você conhece nossas raízes! Quais são elas? As raízes da colonização portuguesa que se interessou apenas por tirar lucros e vantagens das terras "encontradas".
    O pensamento brasileiro de se levar vantagem em tudo tem raízes históricas, está arraigado à população de um modo geral. E as pessoas o fazem, na maioria das vezes, sem perceber que isso é ser corrupto, isso é fazer parte de um rol que talvez o próprio indivíduo abomine, mas não consegue o ver como ato falho, corrupto, digno de repulsa. Observa-se o famoso "jeitinho brasileiro" como algo louvável, sem se dar conta que o famoso "jeitinho" é uma forma de corrupção... infelizmente, isso faz parte da nossa cultura.
    Observando o povo e a política americana, suas ações e boa índole internas são também explicadas pelas raízes históricas, um povo que lutou pelo que acreditava, que buscou sua independência e conseguiu se transformar em uma potência... mas, em contrapartida, analisando a dominação econômica que os EUA exercem sobre os países do Sul, percebemos outra forma de corrupção, talvez não tão explícita... onde ela está? Na política econômica adotada por este país em relação aos mais pobres, políticas protecionistas internas em detrimento de economias menos estáveis, exploração do trabalho não especializado, exploração ambiental... são alguns dos vários exemplos de corrupção implícita adotada pelos EUA em nome do desenvolvimento e manutenção de uma potência. Sim, classifico como corrupção, pois não se quebra o Estado interno, mas Estados independentes politicamente, mas dependentes economicamente, que possuem uma população ávida por melhores condições de vida, quebra-se o meio ambiente sem o qual não há sobrevivência... o dinheiro, vil metal, seduz por um lado ou pelo outro, isso é política... não há corrupção interna, mas vamos observar o seu redor, existe país mais obcecado por dinheiro e poder e que pisa sobre qualquer cabeça para manter-se em posição de liderança? Que toma como seus, assuntos de interesse nacional de outros países com culturas totalmente diferentes, que se intromete e desconsolida governos e governantes? Desconheço qualquer outro que o faça no atual período!
    Portanto, existem formas e formas de corrupção, basta observar por um outro ângulo.

    Abraço!

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  2. Maravilha!

    Obrigado por chamar a atenção a esta outra perspectiva do processo corruptivo. Este espaço significa pra mim aceitar a responsabilidade de transformar (ou tendenciar, influenciar) construtivamente os problemas humanidade atual, sendo assim, as suas considerações são de inestimável valor!

    ...mas...hum....somente 1 pessoa usa esse vocativo...

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